Fronteiras da escuta: ética e prática psicológica em contextos migratórios

R$ 0,00

Categoria:

Descrição

Migrar é atravessar muito mais do que uma fronteira geográfica. É reorganizar a própria subjetividade em torno de novas línguas, ausências, pertenças fraturadas e vínculos que precisam ser reinventados à distância. Este encontro nasce do interesse em pensar junto o que acontece quando a clínica se depara com essa experiência e o que ela exige de nós como profissionais.

Partindo de situações concretas da prática, exploraremos os impactos da experiência migratória na subjetividade: as questões de identidade e pertencimento, o luto pelas referências deixadas para trás, a língua como território afetivo, e a fragilização ou reinvenção das redes de apoio. O foco estará na qualificação da escuta em contextos interculturais, não como técnica, mas como postura ética e política.

Dedicaremos também espaço à discussão das normativas do Sistema Conselhos de Psicologia do Brasil, especialmente no que diz respeito ao atendimento online e à atuação com brasileiros e brasileiras no exterior. Compreender os limites, as possibilidades e as responsabilidades éticas que esse contexto coloca é parte indispensável de uma prática profissional comprometida com quem atendemos.

Por fim, o encontro convida a uma reflexão mais funda sobre os modelos que usamos para pensar e clinicar. Noções como adaptação e aculturação, tantas vezes tomadas como neutras, podem operar como dispositivos de normalização, apagando conflitos, hierarquias e histórias. A partir das perspectivas decoloniais e das epistemologias do sul, propomos tensionar essas categorias e ampliar o olhar clínico para as relações de poder que atravessam todo processo migratório. A proposta não é dar respostas fechadas, mas criar um espaço de pensamento compartilhado, onde a prática, a ética e a crítica epistemológica possam se encontrar e se interrogar mutuamente.

 

Bibliografia:

American Psychological Association. (2017). Multicultural guidelines: An ecological approach to context, identity, and intersectionality.

Anzaldúa, G. (1987). Borderlands/La Frontera: The new mestiza. Aunt Lute Books.

Conselho Federal de Psicologia. (2024). Resolução nº 9, de 18 de julho de 2024: Regulamenta o exercício profissional da Psicologia mediado por tecnologias digitais da informação e da comunicação (TDICs) em território nacional e revoga as Resoluções CFP nº 11/2018 e nº 04/2020. CFP.

Conselho Federal de Psicologia. (2022). Resolução nº 13, de 15 de junho de 2022: Dispõe sobre diretrizes e deveres para o exercício da psicoterapia por psicóloga e por psicólogo. CFP.

Conselho Federal de Psicologia. (2005). Resolução CFP nº 10/2005: Aprova o Código de Ética Profissional do Psicólogo. CFP.

Quijano, A. (2000). Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. En E. Lander (Ed.), La colonialidad del saber: Eurocentrismo y ciencias sociales. Perspectivas latinoamericanas (pp. 201–246). CLACSO.

Santos, B. de S. (2007). Para além do pensamento abissal: Das linhas globais a uma ecologia de saberes. Revista Crítica de Ciências Sociais, (78), 3–46.

Sayad, A. (2010). La doble ausencia: De las ilusiones del emigrado a los padecimientos del inmigrado. Anthropos.

 

Informação adicional

Valor da Contribuição

R$ 10, R$ 20, R$ 30