Descrição
Migrar é atravessar muito mais do que uma fronteira geográfica. É reorganizar a própria subjetividade em torno de novas línguas, ausências, pertenças fraturadas e vínculos que precisam ser reinventados à distância. Este encontro nasce do interesse em pensar junto o que acontece quando a clínica se depara com essa experiência e o que ela exige de nós como profissionais.
Partindo de situações concretas da prática, exploraremos os impactos da experiência migratória na subjetividade: as questões de identidade e pertencimento, o luto pelas referências deixadas para trás, a língua como território afetivo, e a fragilização ou reinvenção das redes de apoio. O foco estará na qualificação da escuta em contextos interculturais, não como técnica, mas como postura ética e política.
Dedicaremos também espaço à discussão das normativas do Sistema Conselhos de Psicologia do Brasil, especialmente no que diz respeito ao atendimento online e à atuação com brasileiros e brasileiras no exterior. Compreender os limites, as possibilidades e as responsabilidades éticas que esse contexto coloca é parte indispensável de uma prática profissional comprometida com quem atendemos.
Por fim, o encontro convida a uma reflexão mais funda sobre os modelos que usamos para pensar e clinicar. Noções como adaptação e aculturação, tantas vezes tomadas como neutras, podem operar como dispositivos de normalização, apagando conflitos, hierarquias e histórias. A partir das perspectivas decoloniais e das epistemologias do sul, propomos tensionar essas categorias e ampliar o olhar clínico para as relações de poder que atravessam todo processo migratório. A proposta não é dar respostas fechadas, mas criar um espaço de pensamento compartilhado, onde a prática, a ética e a crítica epistemológica possam se encontrar e se interrogar mutuamente.
Bibliografia:
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