Este projeto nasce da compreensão de que migrar não é apenas um deslocamento geográfico, mas um intenso processo de reorganização interna. Voltado para pessoas que falam português, o grupo tem como objetivo oferecer um espaço seguro de escuta, partilha e construção coletiva.
Aqui, o foco não é a “doença”, mas a potência do encontro. É um espaço para reelaborar as vivências de masculinidade, permitindo que o homem em movimento olhe para si mesmo para além das exigências pessoais profissionais e acadêmicas.
A proposta de um grupo é trabalhar a saúde mental que nós, muitas vezes, negligenciamos. Silenciamos emoções porque aprendemos a seguir modelos rígidos: a cultura do “homem viril”, o provedor que não chora e que precisa dar conta de tudo sozinho para não ser visto como fraco ou fracassado.
Nesse modelo em que fomos criados, todos nós carregamos traços do machismo estrutural. Mas você já parou para pensar quais são as suas referências de homem, para além do que te disseram que você deveria ser?
1. Masculinidade x Identidade Falar de masculinidade num grupo não é “pedir desculpas por ser homem”. É falar sobre quem você é, seus gostos e sua identidade, sem o julgamento de ter que performar o tempo todo.
2. O risco do silêncio O que acontece quando você não consegue falar sobre quem você é? O que você faz com a angústia quando a vida aperta? O problema é que emoção não digerida não desaparece: ela vira sintoma. O silenciamento masculino é um dos principais fatores de risco para vícios, explosões de raiva e suicídio. Falar ajuda a organizar o pensamento e a nomear o problema, tirando o peso das costas.
3. “Mas eu já converso na mesa de bar…” Essa é a dúvida mais comum. A mesa de bar é ótima, mas sejamos honestos: lá você realmente elabora seus problemas e medos profundos, ou você apenas reproduz uma performance de homem bem-sucedido/engraçado para os amigos? O grupo é o lugar onde a performance fica do lado de fora e a gente trata do que realmente importa.
O grupo é desenhado para um perfil específico, visando a identificação entre os pares:
Que mudaram de cidade ou país em busca de melhores condições de vida profissional, acadêmica ou pessoal.
Pessoas que, embora tenham alcançado certa estabilidade, sentem necessidade de elaborar vulnerabilidades e a solidão que emerge nos processos de (re)territorialização e nas capturas da subjetividade pela lógica da produtividade.
Henrique Galhano Balieiro é psicólogo com especialização em Direitos Humanos e Cidadania no Contexto das Políticas Públicas e mestre em Psicologia pela PUC Minas (bolsista CAPES/CNPq). Atualmente, atua como professor e coordenador da especialização em Psicologia e Migração (PUC Minas) e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da mesma instituição.
A minha trajetória é alicerçada na própria vivência migratória pela Europa e consolidada na interseção entre clínica, pesquisa acadêmica e defesa de direitos humanos.
Currículo | Rede Social
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